quinta-feira, 5 de outubro de 2017

La betê e Francisco de Assis - a nudez e seus contextos

  A polemica envolvendo a exposição “La bête”, que aconteceu no MAM, Museu de Arte Moderna de São Paulo, há alguns dias, trouxe à tona uma série de questionamentos por parte da sociedade brasileira, onde valores foram contestados, acusações foram feitas e principalmente muito ódio foi destilado.
 Tudo isso me trouxe muita preocupação, pois procuro ser uma pessoa que analisa o todo antes de expressar opinião, mas mesmo assim, vi que não há espaço na sociedade para ponderação e equilíbrio.
 Vivemos atualmente em uma sociedade maniqueísta, onde só há espaço para o bem e o mal. Não há contexto, não há espaço para dúvida, não se tem mais um olhar amplo sobre o que é discutido, há simplesmente um conceito simplista, onde o senso comum tem mais valor que o dicionário quando se trata em definir o significado de uma palavra. Se eu acho que cachorro signifique algo diferente de um canídeo, mamífero, subespécie de lobo, eu posso defini-lo como bem entender, afinal eu tenho esse direito.
  O fato é que hoje, após todo esse estardalhaço, o qual me trouxe perdas irreparáveis, simplesmente pelo modo como eu tento me posicionar de maneira mais abrangente, lembrei-me de uma mensagem que eu escrevi na época em que frequentava a igreja Batista.
  A mensagem se baseava em gênesis capitulo 03, onde discorre a narrativa da queda de Adão e Eva.
 No texto, após comerem a fruta do conhecimento do bem e do mal, perceberam que estavam nus, e sentiram vergonha, fazendo então, aventais com folhas de figueira. Deus, em seguida o chama, Adão diz que se escondeu da presença de Deus pois percebeu a sua nudez, sendo então questionado por Deus, sobre quem havia contado a ele que estava nu, se teria comido o fruto que Deus ordenou que não comesse, Adão, coloca a culpa em Deus, afirmando que a mulher que ele, Deus, deu para ele, que havia dado o fruto proibido. A mulher, por sua vez, culpa a serpente, dizendo ter sido enganada pela mesma.
 Analisando o fato anterior, e mais outros textos que utilizei na época para criar a mensagem, eu vi que a nudez representava a transparência da relação entre Deus e o homem, o qual sabia de tudo, via tudo, e só havia a bondade no homem a ser vista.
  Após a queda, o homem passa a ter consciência, passa ele, homem a ver essa relação como vergonha, pois agora, ele sabe que Deus o enxergará como ser que é, tenta se fazer aceitável para Deus, cobrindo sua nudez com as vestimentas de folhas, para que Deus não enxergue o ser que havia se tornado.
 Mas, isso não foi suficiente para que isso ocorresse, e ao ver que Deus o veria “nu”, mesmo com roupa, não admite seu erro, e joga a culpa de sua transgressão no próprio Deus, utilizando a mulher como bode expiatório. A mulher, também não admitindo a sua culpa, culpa a serpente pelo seu erro.
 Por fim, associei a vestimenta como símbolo da religiosidade, no caso a hipócrita, para ser claro, não generalizando todo religioso, onde o homem tenta se fazer aceitável pelas obras de suas mãos, "cozendo roupas de folhas de figos”, metaforicamente, através das “boas ações”, a moralidade, a caridade e por aí vai.
 Cristo, posteriormente disse, que nenhum homem chegaria ao reino dos céus, se não fosse pelas obras dele, Cristo. Paulo fala em Romanos 03, que não há um justo, nem um sequer, não há quem busca a Deus, todos se extraviaram. Em Efésios 02 Paulo novamente diz que, “pois, pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus”.
  Dessa forma, mesmo estando há anos desviado da igreja, eu ainda tenho comigo que só Deus pode fazer julgamentos acerca da moralidade do outro.
 Tento não ser o portador da verdade, sei o quão sou falho demais para julgar o outro.
 Nem toda a moralidade do mundo, ou a defesa da moral judaica cristã me fará aceitável para Deus, segundo a crença cristã.
 Eu posso julgar a minha moralidade, posso escolher criar meus filhos, caso venha os ter, respeitando os meus valores. Mas quem sou para julgar a moralidade do próximo desde que a mesma não fira a lei? Quem sou eu para chamar aquela mãe de safada, vagabunda, dizer que a mesma expôs a filha a pedofilia, se segundo o dicionário não houve ali nada pedófilo?
 Para mim, a nudez é tabu. Para mim a peça não teve sentido algum, eu não iria ver a peça, não me interessaria pela nudez não erótica, mas quem me colocou de juiz para julgar o que é arte e o que não é arte.
 Eu posso não concordar com a mãe que levou a criança, e tenho direito disso, mas, pela lei, a mesma não cometeu crime. Haveria cometido se tivesse exposto a filha a pornografia ou sexo explícito, mas não foi o que houve ali. Mas, se houver outra lei, se não a que me foi apresentada até agora, mudo tudo o que disse aqui, pois, se houve crime, deve se haver punição aos responsáveis.
 Temos todo o direito de não concordar, mas não podemos querer impor nossos valores goela abaixo a quem pensa diferente de nós.
 Meu principal medo é o fato de que tudo começa com “isso é uma safadeza”, torna-se “essa safadeza é pedofilia”, vira “pedófilo merece apanhar” e “morte a esse safado, pedófilo”. Se a morte acontecer, todos que ajudaram a criar a corrente de ódio terão um pouco de sangue nas mãos.
 Estamos vivendo um tempo de extremos, polarização e eu só não quero fazer parte dessa corrente...
 São Francisco de Assis, ao ser confrontado por seu pai, renunciado a tudo que tinha, pediu a benção de seu pai, tirou toda sua roupa e pregou a Cristo completamente nu.
 Isso é ser imoral? Ele incitou a pedofilia? Fez apologia a mesma? Foi pervertido? Não, foi considerado anos depois um Santo pela Igreja Católica.
 Se o mesmo repetisse tal ato hoje, como seria tratado?
 Você pode dizer “ah, mas naquela época não havia a maldade que existe hoje”. Será? Pesquise e veja como era o contexto da idade média.
 Por fim, espero ter deixado clara a minha opinião, a qual você tem todo o direito de discordar, mas não tem o direito de achar que sou um leviano, safado que defende a pedofilia.
 Eu não sou um exemplo de ser humano, mas esse certamente não é um dos muitos erros que já cometi.
 Para mim, toda essa discussão só serviu de cortina de fumaça para a aprovação dos perdões pornográficos de dívidas de empresas, igrejas e políticos.
Fomos estuprados enquanto olhávamos para o outro lado e ainda nem percebemos isso.



Silvinho Coutinho

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Os Quiosques e a política higienista em Castilho

    O que seria uma política higienista?
    Um bom exemplo de política higienista é o que tem feito o Prefeito de São Paulo, João Dória,  que é acusado de ordenar à Guarda Metropolitana tomar de moradores de rua seus colchões, cobertores e jogar água em gente que dorme na praça da Sé em pleno frio de 5 graus, outro exemplo de higienismo vem do Prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil que não poupou o uso da violência para atacar trabalhadores de rua os chamados camelôs. Ou seja, dois exemplos que jogam para "debaixo do tapete" graves problemas sociais, políticos que agem de forma a mudar o visual de um lugar para que fique de acordo com o que eles acreditam ser o ideal, uma maquiagem na paisagem.
    O caso dos quiosques da praça são parecidos, guardadas as devidas proporções.
   Pensados e construídos no processo de "reforma" da praça, foram inaugurados no ano de 2009. Quiosques que nunca foram totalmente ocupados ao mesmo tempo. 
  Nos últimos anos, de todos, apenas um seguia funcionando.
  Não bastasse a quase total ociosidade, a principal crítica da população a esta obra se deve ao fato de ter sido construída sobre a principal avenida da cidade, atrapalhando a passagem de quem seguia ao único hospital que Castilho possui.
  Após o notório fracasso desta obra e às muitas criticas, a atual prefeita decidiu que o melhor era demoli-los e abrir novamente passagem na avenida.
  A insatisfação com estes quiosques era tanta que o atual governo fez questão de fixar na praça uma grandiosa placa de publicidade de seu feito, a reabertura da Avenida Getúlio Vargas.
   
 


    O caso destes quiosques, assim como outras obras em Castilho, é mais um projeto pensado em gabinete, sem qualquer consulta popular, feito de cima para baixo, cheio de preconceito com viés legalista.
     Quem conheceu a antiga praça, antes dessa "reforma" que na verdade foi uma reconstrução, sabe que a praça era um local cheio de vida, local de encontro de muitos jovens, era um ponto turístico, principalmente aos domingos com o tradicional forró.
    Por isso, ao longo do tempo foram se instalando vários comerciantes no local onde foram construídos os hoje demolidos quiosques. Aqueles comerciantes eram pessoas desempregadas que viram na praça uma oportunidade de ganhar um dinheiro extra vendendo lanches, pasteis, sorvetes, pipocas, etc.  
    O local se transformou em uma espécie de praça de alimentação, sempre movimentada. Era um lugar rentável a quem ali trabalhava.
    No entanto, para alguns, aquilo era um incomodo, uma fila de trailers sem padrão algum. Cada um do seu jeito, uns de lata, outros de madeira, outros em cima de uma mesa improvisada. 
    Pareciam um evento do tipo destes de Food Truck, mas em uma versão bem mais pobre, sem a pompa de classe média que paga 20 reais em um lanche. 
    Na época da construção dos quiosques o principal argumento utilizado foi o de legalizar a situação daqueles comerciantes, construindo um local padronizado. 
    Apesar dessa aparência legalista, o verdadeiro motivo foi promover uma "limpeza" no local, retirando aqueles comerciantes de improviso que não combinavam mais com o visual de uma praça toda remodelada, era preciso impedir que aqueles pobres desempregados com pouquíssimo poder de investimento  instalassem seu pequeno negócio em uma praça que recebeu investimento de um milhão de reais. A afirmação do site de notícias Hoje Mais, dá uma ideia disto.

       Na época, os quiosques foram construídos como alternativa para substituir os ambulantes que foram proibidos de permanecer ao redor da praça, com carrinhos de pipoca, de cachorro-quente entre outros.
Fonte: http://www.hojemais.com.br/tres-lagoas/noticia/geral/prefeitura-de-castilho-inicia-processo-de-demolicao-dos-quiosques-e-reconstrucao-de-trecho-de-avenida 

   Ou seja, uma avenida que dava acesso a um hospital foi fechada parar impedir a instalação de comerciantes/ambulantes na principal praça da cidade. Uma obra que nada mais fez que promover a expulsão de vários deles. Foram tratados como um problema, quando na verdade o problema estava sendo criado por uma solução higienista.
    Assim, muito dinheiro foi jogado fora por uma questão de preconceito, de gente que se incomoda com um visual de coisa pobre. "Mataram" a praça e no fim, nem uma coisa, nem outra.
   Se alí houvesse uma fila de trailers do Food Truck, certamente seriam tratados diferente. Seriam convidados até a Prefeitura para de alguma forma regularizarem sua situação.
Veículo de Food Truck. Ah se aqueles antigos comerciantes fossem assim.

    O que mais impressiona é que tudo aconteceu sem nenhuma voz para ao menos questionar uma ideia dessas. Passou pela Câmara e foi aprovada pelos mesmos que hoje batem palma pela demolição de um projeto que eles mesmos deram aval.
     Castilho é assim, muitas vezes só repete em escala menor o que é comum na capital.


Dóri Edson Lopes

    
    

     
   

terça-feira, 20 de junho de 2017

Para que servem os vices?

    Ontem veio à tona na política castilhense o desabafo de um ex-assessor da atual administração municipal que veio a público denunciar uma verdadeira chantagem feita com ele. 
Em nota o ex-assessor diz que foi chamado ao gabinete da atual prefeita e lá foi coagido a cortar relações de amizade com algumas pessoas, entre elas, o vice prefeito. Caso não aceitasse, seria exonerado.
    Com muita dignidade o ex-assessor preferiu suas amizades a um cargo onde é chantageado.
    Assim, as constantes denuncias de perseguições da atual administração municipal ganha um novo capítulo, este com grande autoridade, pois tem como envolvido uma pessoa que ocupava cargo de confiança e que sempre apoiou a atual prefeita nas campanhas eleitorais, ou seja, fica demonstrado que realmente as perseguições existem.
    Esta demonstrado também que existem pessoas brincando com o poder que tem nas mãos em Castilho. Que esta administração tem decepcionado em vários aspectos, isso também já não é mais segredo.
     Mas, uma coisa que chama a atenção neste caso é a repetição de uma mesma história em Castilho, qual seja, o papel dos vices prefeitos.
     Não é de hoje que o vice é uma figura controversa na política castilhense, na maioria das vezes apenas usado como um fantoche em campanhas eleitorais. Mas, há casos também de vice pivôs de crises que vão à rádio jogar o lixo no ventilador, ou como agora, onde o vice lança desafio à prefeita em rede social.

     Os motivos para a discórdia entre vices prefeitos e prefeitos variam, alguns são explícitos, claros para a opinião pública, como no caso do então vice prefeito Pedro Boaventura que se mostrou totalmente contrário ao então prefeito Antonio em várias decisões politicas, como a privatização da água, até romper com o mesmo em definitivo.
      Outros se mostraram insatisfeitos com a falta de espaço nos governos em que participaram, mas muitas vezes não se soube ao certo que espaço era este desejado.
     O que surpreende nesta história toda com a atual administração é que em apenas seis meses Prefeita e Vice já estão em discórdia pública.
      Afinal, o que teria acontecido para a atual Prefeita proibir um assessor de ter amizade com o Vice Prefeito?
     O que está por trás desta polêmica?
     O vice deveria vir a público esclarecer sua nova posição política. Explicar o por quê?
     O povo castilhense merece saber. E que seja convincente.
     Portanto, a resposta para a pergunta feita no título deste texto é que, em geral, os vices prefeitos sempre foram uma figura secundária na política castilhense, com exceção de alguns raros momentos, ou seja, serviram mais para os propósitos eleitorais dos prefeitos.
     Entretanto, em tempos de Michel Temer, os vices ganharam relevância. No facebook já dizem "tchau querida".
     Não é o caso de sugerir que a índole do atual vice prefeito castilhense seja  como a do atual Presidente, mas apenas considerar as possibilidades, tendo em vista o que aconteceu em Brasília. Se levarmos em conta as atitudes de alguns vereadores, então a frase do facebook não é exagero.



Dóri Edson Lopes
   


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Eu também vou reclamar

Eu tenho uma reclamação a fazer!
Nunca antes na história dessa cidade, tanta gente veio reclamar comigo que o povo (e me incluem nessa) reclama demais da atual gestão, seja do administrativo ou do legislativo, “que não pode cobrar”, “que ta cedo ainda”, “que não tão dando tempo para fazer” e blá, blá...
Eu ouço essa conversa e lembro que o prefeito anterior, a essa altura da administração dele, já teve que lidar com uma greve de servidores públicos municipais, da qual com muito orgulho participei e incentivei pessoas que trabalharam comigo a aderirem à greve.
No primeiro ano de governo, ele teve que enfrentar os protestos com a ocupação das casinhas da CDHU, atual bairro Nelson Borges, e das manifestações no portal da cidade, onde os moradores do bairro Nova York atearam fogo em pneus e bloquearam o transito, recebendo pancada atrás de pancada nas redes sociais, inclusive por mim e por outros membros do Blog dos Opositores. Se alguém duvida, é só olhar nos textos antigos do blog e verá que ele foi cobrado e de maneira muito justa, por sinal.
O legislativo anterior também foi bastante cobrado a respeito do caso "Águas de Castilho" e também pela volta das Sessões da Câmara para o período Noturno.
Dilma, nem havia começado seu segundo mandato e já estavam falando em impeachment, em março do seu primeiro ano do segundo governo já foram às ruas milhões de pessoas, foi cobrada por seus opositores e por seus eleitores, que não concordavam com a nomeação de alguns membros de seu governo, como Joaquim Levi, banqueiro ligado ao Bradesco, para Ministro da Fazenda e Kátia Abreu, senadora ligada ao agronegócio para Ministra da Agricultura.
Nos casos anteriores, podia-se cobrar logo no início do governo, agora, não?
Pelo que sei, por enquanto ainda não existe a criminalização das cobranças por uma gestão que atenda melhor as necessidades do povo, embora peço a você que  fique tranqüilo, pois logo eu creio que esse direito nos será tirado, ai ninguém mais vai poder cobrar nada de quem estiver no poder. Mas ai você vai ter que torcer, para que o candidato que você apóia sempre se mantenha no poder, pois, se ele ou ela sair, ah meu amigo, você também não vai poder fazer o que antes fazia, ou seja, não vai cobrar por uma administração melhor.
As cobranças são parte da democracia, e devem ser respeitadas, pois são uma forma do povo ecoar sua voz e se fazer ser ouvido. Quem não quer ser cobrado não pode ser eleito ou trabalhar diretamente para alguém que foi eleito, pois sempre será a vidraça para onde as pedras serão atiradas.

É fato que alguns comportamentos humanos tendem a ser moldados através de estímulos externos, de maneira que tais estímulos criam um habito. Se a pessoa recebe um estimulo positivo ao fazer uma ação, a mesma tende a repetir tal ação. Se ao contrario, o estimulo recebido pela ação for negativo, a mesma tende a abandonar tal ação, não criando o assim hábito.
A administração tem tentado resolver rapidamente o que é publicado nas redes sociais, para evitar que o assunto ganhe força, e fique circulando gerando marketing negativo, o que é algo inteligente, porem, tal atitude criou na população a ideia de que tudo que for publicado nas redes sociais será rapidamente resolvido e por este motivo têm aparecido tantas criticas, pois elas têm dado resultado, assim, têm se criado o habito.
É obvio que tem problemas que não podem ser ainda atribuídos à atual gestão por enquanto, em decorrência do pouco tempo hábil para resolver problemas estruturais do município, como a falta de emprego, por falta de empresas em nosso município, mas, uma hora se não for cumprida essa promessa de campanha, será perfeitamente plausível fazer tal apontamento. Mas cobrar pela falta de remédio, ou de ventiladores nas salas de aula, ou coleta de lixo, não da pra dizer que não são motivos justos para reivindicar,
No mais, estou indo embora, vou relaxar, pois eu sei que logo vem mais gente cobrando em cima de mim por ai e eu quero estar bem tranqüilo, calmo, com essa mesma paz que tenho tido, afinal, só eu sei depois a do da azia...


sexta-feira, 28 de abril de 2017

A "Reforma Trabalhista" e suas implicações: Estamos todos no mesmo bote furado..


No último dia 17, o Brasil completou o aniversário de um ano da queda de sua presidente eleita democraticamente através do processo de impeachment deflagrado por Eduardo Cunha, para se vingar do PT pelo mesmo não ter dado os votos necessários para salvar a pele de Cunha, então Presidente da Câmara no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, isso segundo a fala do atual presidente, Michel Temer.
Primeiramente, fora Temer, mas, não é exatamente sobre o “impitimá”, mas sim sobre mais um presente que nós, trabalhadores, pequenos e médios empresários, profissionais liberais, pobres e classe média, recebemos para comemorar um ano desse evento nebuloso da nossa história.
Ontem, dia 27 de abril de 2017, vimos a “reforma” trabalhista ser aprovada na Câmara dos Deputados, “reforma” esta que implicará em mudanças importantes na CLT, Consolidação das Leis Trabalhistas, sobre o pretexto da mesma ser antiquada e dificultar a geração de empregos no país.
Alguns pontos  da lei são polêmicos, como regulamentação do trabalho intermitente, ou seja, o contrato onde a prestação do serviço com subordinação não é continua, como um garçom que trabalha aos fins de semana, através dessa mudança, poderia (digo poderia pois tenho dúvida se o empregador realmente o registraria) ter sua carteira de trabalho registrada, porém, os empregadores podem usar essa alteração para formalizar os chamados “bicos”, contratando trabalhadores para períodos apenas de maior fluxo, como nos bancos onde os dias de pagamento são mais movimentados, dispensando os trabalhadores fixos, e contratando apenas para aqueles dias específicos.
Outro ponto é em relação ao “Teletrabalho”, ou “Home Office” como também é conhecido, que é o serviço prestado pelo trabalhador fora das dependências da empresa. O problema é que fora de suas dependências, a empresa teria facilidade em dispor da mão de obra sem os limites da jornada de trabalho, sem os custos fixos com a estrutura para o posto de trabalho, e ainda trariam para o trabalhador a responsabilidade das possíveis ocorrências de acidentes ou doenças de trabalho.
Elimina a responsabilidade de uma empresa maior, controladora de outra menor, com os encargos e multas originados em decorrência de irregularidades ocorridas na empresa controlada, mesmo que ambas sejam parte de um mesmo grupo empresarial. Por exemplo, se uma empresa menor dentro de um grande conglomerado industrial manter trabalhadores análogos a escravidão, e for condenada pela justiça, a grande companhia controladora é desobrigada a arcar com as indenizações.   
Reduz as multas para quem manter empregado sem contrato formal de trabalho.
O tempo que o trabalhador perde, se deslocando até a empresa em locais de difícil acesso ou não servido por transporte público, deixa de ser considerado como hora trabalhada.
O que for acordado entre o empregador e o empregado passa a valer acima do que estabelecido em lei, fato esse que pode causar prejuízos ao trabalhador, principalmente em períodos de grande desemprego, pois não estará em condição de igualdade para negociar com o empregador.
Os custos do processo de entrada na Justiça Trabalhista passam a ser arcado pelo trabalhador que entrar na justiça e perder a causa e não mais pelo poder público, o que irá desincentivar a busca por parte dos mais pobres a Justiça do Trabalho, entre outras centenas de artigos alterados ou excluídos.
Temer inspirou sua reforma trabalhista no exemplo Espanhol, que em 2012 aprovou sobre circunstâncias semelhantes as vividas pelo Brasil atual, mudanças na legislação trabalhista que enfrentaram forte resistência da classe trabalhadora, mas que foram aprovadas e aplaudidas na época por órgãos como o Fundo Monetário Internacional, o FMI.
Na Espanha, a facilitação da demissão fez com que o desemprego aumentasse vertiginosamente no curto prazo, pois os empregadores aproveitaram o gatilho para demitir os funcionários com salários melhores, para recontratá-los posteriormente com salários menores e condições de trabalho piores. Com a redução do custo da mão de obra, a Espanha realmente criou mais empregos, de maneira que a quantidade de pessoal empregado saltou de 18,2 milhões em 2012 para 18,5 milhões em 2016, ou seja, 300 mil empregos a mais, representando um aumento de apenas 1,6% no total de pessoas empregadas, após a reforma, um percentual muito baixo de aumento.
Em relação aos salário médio dos trabalhadores, entre 2011 a 2015, houve uma queda média de 800 euros por ano, ou seja, convertendo para reais, o trabalhador em 2015 ganhava R$2700,00 a menos por ano do que em 2011, isso sem contar a inflação do período que já por si só reduz o poder de compra do salário.
Para tentar evitar essa reforma, movimentos sociais, centrais sindicais e trabalhadores realizam hoje, dia 28/04 uma greve geral pelo Brasil em protesto as mudanças na legislação trabalhista brasileira, tentando assim garantir que o trabalhador não pague a conta pela crise econômica que a turbulência política criou.
Vale lembrar que a mudança na lei não é garantia plena de aumento do emprego, que nos oito anos do governos Lula, e no primeiro mandato de Dilma, bem ou mal, foram criados mais de 20 milhões de empregos, mesmo com a legislação antiga. O que gera emprego é crescimento econômico!
Com a precarização do trabalho e redução dos custos com mão de obra certamente haverá aumento do número de empregos, mas o mercado interno irá encolher com a capacidade de compra menor, o que prejudicará pequenos e médios empresários, além de profissionais liberais que dependem do mercado interno para ganhar seu pão. Do que adianta para um pequeno comerciante gastar menos com funcionário se o dinheiro em circulação reduzir? Ele vai sofrer as consequências disso também, pois vai vender menos.
Assim todos da parte debaixo da pirâmide perdem perder com a reforma trabalhista e por isso todos deveríamos lutar para que isso não ocorra.
O sindicato dos servidores públicos municipal deveria ter organizado um ato contrário a reforma, os servidores públicos que sofrerão os danos da PEC do congelamento do orçamento, reforma da previdência, terceirização e reforma trabalhista deveriam sim aderir e lutar contra a perda de direitos. Os pequenos empresários que serão prejudicados a médio e longo prazo deveriam fechar suas portas e se juntar ao movimento. 
Não é um movimento do PT ou da esquerda, afinal Lula e Dilma não irão se prejudicar em nada com essas reformas aprovadas, eles estão bem mais remediados que nós, trabalhadores, agora, eu e você é que vamos sofrer as consequências dessas mudanças.
Estamos pagando a conta e continuamos passivos ao que ocorre.
Somos estuprados, vemos a penetração, não gostamos, mas permitimos!
Até quando você vai levando porrada, até quando vai ficar sem fazer nada???

Silvio Coutinho

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Mais uma Terceirização em Castilho


         Foi noticiado esta semana que a Prefeitura Municipal de Castilho enviou à Câmara do município projeto que cria uma nova tarifa chamada Cosip (Contribuição para Custeio de Iluminação Pública).
         A justificativa é a publicação de uma Resolução de 2010 da Aneel (Agencia Nacional de Energia Elétrica) determinando que, a partir de 2014, as Prefeituras Municipais é que devem ser as responsáveis pela iluminação pública da cidades. A referida Resolução é normativa do artigo 149 da Constituição de 1988 e que trata da possibilidade de criação de tarifa para custeio da iluminação pública. Entretanto, o referido artigo da Constituição não diz que as Prefeituras são obrigadas a criar uma taxa, só diz que poderão criar esta taxa se assim quiser.
         Após recursos judiciais a Prefeitura de Castilho conseguiu o adiamento em herdar a responsabilidade pela iluminação da cidade, entretanto, este recurso foi invalidado e não há mais a quem recorrer.
        Com isso a Prefeitura passou a ser obrigada pelos serviços que eram da Elektro, uma empresa que age como uma parasita do Estado e que cada vez mais reduz seus serviços à simples cobrança de energia elétrica da população.    

Meio milhão de reais para o Consórcio?
        Sendo assim, haviam três possibilidades para a Prefeitura: criar um departamento próprio para este de serviço, terceirizar a uma empresa privada ou entrar em um consorcio de empresa terceirizada.
       Optou-se pela última alternativa, um Consórcio feito com uma empresa privada que atenderá vários municípios da região. Entretanto, é bom deixar claro, foi uma opção e não obrigação.
          Entre as justificativas para esta opção estão a questão da infra estrutura, da qual a Prefeitura não teria, e a da eficiência. Assim, Castilho participara de um Consórcio de uma empresa que não se sabe onde fica sua sede e que terá a responsabilidade de atender ao mesmo tempo vários municípios da região. Difícil é esperar eficiência de uma empresa que nem tem sede em Castilho.
          Optou-se também pela criação da taxa Cosip, (sim, optou, pois não era obrigatório).  
          Caso seja aprovado o Projeto, serão cobrados R$ 8,90 por residencia todos os meses. Cobrança esta que virá junto à tarifa de energia elétrica, conforme o projeto divulgado pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura.


          Assim, considerando dados do IBGE que indicam que a cidade possui por volta de 5.000 domicílios. Somando o valor desta tarifa pelo numero de domicílios, a Prefeitura arrecadaria algo em torno de 44.000 reais mensais.
          Multiplicando esse valor por 12 meses, teríamos por volta de 530.000 reais, ou seja, meio milhão de reais arrecadados por ano
          A pergunta é: Quanto vai custar este Consórcio? Vamos pagar meio MILHÃO de reais pelo simples serviço de trocas de lâmpadas?
          Sim, o simples serviço de troca de lâmpadas, conforme revela a Aneel:
"Amparada pela determinação constitucional, a Resolução Normativa ANEEL nº 414, de 9 de setembro de 2010, no art. 218, determinou que as distribuidoras deveriam transferir os ativos de iluminação pública (luminárias, lâmpadas, relés e reatores) às prefeituras." (fonte: http://www.aneel.gov.br/como-resolver/-/asset_publisher/3SAW3SarixVj/content/iluminacao-publica/655804?inheritRedirect=false ).

          Portanto, entra a questão:  havia mesmo a necessidade de terceirizar este tipo de serviço?
         Já conhecemos muito bem como agem as empresas privadas que prestam serviços públicos. A Águas de Castilho está aí para mostrar a falsa eficiência que divulgam e os abusos de preços nas cobranças das tarifas. Nisto reside o maior temor da população, termos uma nova Águas de Castilho a nos explorar. Uma nova tarifa já vai ser criada para garantir os lucros deste consórcio.


Dóri Edson Lopes
          
       


quarta-feira, 22 de março de 2017

Não é grátis, é pago por nos!

O brasileiro aprendeu a não valorizar tudo que é grátis. Este pensamento pode parecer normal para quem vive em uma sociedade captalista, mas o que é doado pelo Governo, NÃO É GRÁTIS, é pago por nós, contribuintes. A cultura reinante e reforçada nos últimos anos no Brasil,  é a de que o governo-o Estado deve prover tudo, mas ao mesmo tempo, quando recebe sem pagamento, o brasileiro sente-se desobrigado

    Atualmente é tudo para todos. Igualamos no uniforme, na distribuição gratuita e no distanciamento dos pais da escola. Mas se o brasileiro só entende a linguagem do “bolso” e o pai, principalmente ele, se sente participativo e responsável somente quando tem a responsabilidade de prover, a escola ao doar uniforme, comida, material e tudo o mais, não estaria dizendo ao pai: deixa aqui, nós cuidamos de tudo?👀

Qual a importância de se ter ou usar uniforme no momento em que se prega o respeito à diversidade, a necessidade de responsabilização dos pais pela educação de seus filhos e, principalmente, o compromisso do professor com a diversidade cultural e as limitações de cada aluno?
  Nos  Estados Unidos por exemplo, percebemos a diferença entre o sistema escolar americano e o brasileiro. Uma das diferenças mais perceptíveis é a participação dos pais na escola. Lá, a indisciplina dos filhos é responsabilidade dos pais. A segurança física e emocional e a qualidade do ensino é responsabilidade da   escola. A maioria das escolas não adota uniforme e o ensino é individualizado.
Evidentemente se o aluno é tratado como indivíduo e único, a sociedade é meritocrática, a uniformização inexiste. Por outro lado, é preciso pensar: qual a real função do  uniforme escolar na escola brasileira do século XXI?
   Entretanto, a principal pergunta é mesmo saber, efetivamente, até que ponto as peças do vestuário, usadas para igualar as crianças perante o professor, contribuem para a uniformidade, o respeito às diferenças individuais ou atrapalha a aprendizagem do aluno e, porque não, do professor?
É meus caros colegas teremos que regredir?👀
Para saber o caminho do progresso?